IA está mudando quem consegue criar
Lá no bonde do Entreblogs começou um debate sobre IA estar atrapalhando o consumo orgânico. Vou falar por mim, como designer, o que eu estou vendo é o oposto: uma independência que eu nunca tive.
Recentemente, desenvolvi um sistema completo para um professor de inglês. Usei o Figma Make para defender a ideia em uma aula de conversação. Ele gostou tanto que virou cliente.
A partir disso, saíram cinco landing pages, um sistema interno de biblioteca para alunos e uma estrutura que comecei a padronizar ao máximo. Não sei se “fordizar” é a palavra certa, mas foi exatamente isso que fiz: padronizei tudo.
Com um pouco de conhecimento em front e banco de dados, usei o Codex do GPT para construir cadastro, coleta de leads e área do aluno. Paralelamente, fui estudando segurança digital no YouTube e testando o sistema. O resultado ficou sólido.
Já no Foco Acessível, antes era tudo em Jekyll, com uma estrutura bem emaranhada entre páginas. Quando vi uma live do Dante Testa falando sobre o Codex no Windows, testei na hora, fiz a migração de Jekyll para WordPress de forma muito mais tranquila do que eu esperava. Hoje a manutenção é simples, direta e sustentável. O mesmo aconteceu com meu site pessoal — saí de GitHub Pages + Jekyll, reestruturei tudo, adicionei tema escuro e deixei do jeito que eu queria. Nos projetos com a UFPE, que lidam com sistemas legados, comecei a usar IA para analisar código, banco de dados e estrutura. O ganho de leitura e entendimento foi imediato e mantendo algo importante: aderência alta às métricas de acessibilidade.
Sempre aparece a pergunta: “Tu faz conteúdo com IA?”
Depende.
Nos meus projetos, principalmente no Foco Acessível, eu preciso manter linha de raciocínio e coerência narrativa. Isso a IA resolve por mim — tenho dificuldade real de organizar frases, muitas vezes digito palavras com letras trocadas, saio da ordem lógica, começo uma frase e concluo a ideia do segundo parágrafo enquanto escrevo o primeiro, perco a estrutura no meio do caminho.
Esse texto, por exemplo, passou por IA só para correção gramatical. Agora, sobre o argumento de que IA está “acabando com empresas”, tem um ponto aí que precisa ser separado.
Existe sim um movimento de demissões em massa, mas atribuir isso exclusivamente à IA é simplificar a situação — num momento em que o mundo está explodindo literalmente com as guerras. A IA alucina, erra, não sustenta sozinha um produto complexo. Empresas que estão assumindo um risco técnico alto logo vão pagar o preço.
Para mim, IA não é substituição. Ela tira dependência operacional e acelera execução. Antes, para tirar uma ideia do papel, eu dependia de várias pessoas, tempo e contexto. Hoje, consigo prototipar, validar e até implementar sozinho.
O problema não é a IA. É achar que ela resolve tudo.
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