O dia que eu percebi que o sistema já estava lá
Tenho trabalhado bastante com arquivos de produto que já existem, muitos deles da comunidade do Figma, que já passaram por “várias mãos”, já cresceram e quase sempre encontro o mesmo cenário: existe um padrão já consolidado, mas ele nunca chega a ser estruturado de forma explícita.
As decisões estão todas ali, só que espalhadas. Cores se repetem, tipografias seguem padrões que ninguém nomeou, espaçamentos aparecem com pequenas variações que parecem acidentais, mas revelam uma lógica. O sistema existe, só não está organizado o suficiente para ser reconhecido como “sistema”.
Quando chega o momento de organizar, o trabalho vira investigação. Abrir camadas, comparar valores, entender o que é padrão e o que é exceção. Em muitos momentos, parece mais limpeza do que design.
Foi aí que comecei a mudar a abordagem. Em vez de pensar em criar um sistema do zero, comecei a tentar extrair o sistema que já existia ali, aprimeira ideia foi criar um plugin que lesse elementos no Figma e transformasse valores da interface em variáveis, em teoria, isso já ajudaria bastante.
Foi assim que surgiu o Selection to Variables.
Na prática, extrair tudo não funcionou. Informação demais, pouco critério. Nem todo valor merece virar token, muitos aparecem uma única vez, outros são decisões pontuais.
A mudança veio quando passei a olhar para repetição, valores que aparecem várias vezes dificilmente são aleatórios, eles indicam padrões reais da interface.
O plugin passou a funcionar como filtro, começou a destacar o que realmente importa e ajudar a transformar essas repetições em variáveis e estilos, ainda assim, não dá para automatizar tudo, sempre existe contexto e exceção. O fluxo sugere, mas a decisão continua sendo de quem está usando.
O plugin resolve uma parte bem específica: reduzir o trabalho manual de identificar padrões em arquivos que já estão em produção e foi aí que ficou mais claro pra mim que o problema raramente é falta de design system, o problema é não conseguir enxergar o sistema que já existe, só que de forma fragmentada.
Última atualização:
Comentários
Tem algo a dizer sobre este texto? Algumas formas de responder: