Tem dias ruins que ainda valem a pena
Recentemente voltei a assistir From, seriado ótimo. Eu tinha parado na primeira temporada, mas a série já vai para a quinta (eu acho). Procurei bastante nos streamings que assino e não achei. Só dava para assistir pagando pela Amazon Prime. Quem acabou me salvando foi o Stremio.
A série acompanha pessoas presas em uma cidade onde a saída vira a própria entrada — um loop — e lá existe uma regra levada muito a sério: ninguém pode ficar fora de casa à noite, porque é nesse momento que aparecem os monstros.
Essas criaturas matam, caçam e brincam psicologicamente com as pessoas antes de atacar.
Se parar pra pensar, só essa premissa já abre espaço para um monte de interpretações filosóficas, religiosas (talvez??) e existenciais, mas não é sobre isso que quero falar. A série e esse texto são sobre luto.
Um tema que atravessa a série inteira.
Mais tarde, Kenny retorna depois de passar a noite fora tentando ajudar outro personagem. Ele chega trazendo comida para toda a cidade, só que, quando chega, percebe que a mãe não está ali esperando por ele.
Então ele começa a chamar por ela. Essa cena me desmontou.
Eu sou mole pra chorar, mas existem cenas que me pegam porque não assisto só como espectador. Me coloco ali dentro. Naquele momento pensei em mainha - é uma certeza que eu pensei nela por que ela já fala muito sobre morte, isso é complexo demais pra mim, falar disso com tanta tranquilidade.
A vida e a morte é muito complexa.
Será que todas as pessoas mais velhas sempre falam nesse assunto?
Pensei no dia em que ela não estiver mais aqui. Pensei que, quando isso acontecer, eu vou ser órfão — vou estar no mundo sem alguém para contar.
Sempre fico me perguntando se vou conseguir lidar melhor do que lidei com a morte do meu pai e da minha avó (esses eventos tiveram uma diferença de ~3-4 meses entre si). Porque toda minha vida foi apoiada muito na ideia espírita de continuidade, reencarnação e reencontro, mas, sendo honesto, não sei se tenho fé suficiente ainda.
A pandemia me quebrou em pedaços que ainda não consegui juntar completamente, espero que a terapia ainda consiga me ajudar nisso.
A morte é uma certeza, às vezes ela vira alívio para quem está sofrendo, outras vezes, o sofrimento fica inteiro nas mãos de quem continua vivo.
Não sei se esse recreio tem fim, nem se era pra ter. Talvez nem devesse terminar.
Nas mídias que vejo com o contexto de imortalidade, sempre tem os que não querem ser imortais, porque a vida é pesada demais.
Talvez tudo isso também tenha sido atravessado pela versão do Johnny Cash para Hurt.
A certeza é que tem dias ruins que ainda valem a pena simplesmente porque foram vividos.
A vida é linda.
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