Uma noite de drag, barulho e boa sensação
Meu final de semana começou acelerado. Fui assistir ao Drag Race Brasil Live, no RioMar, e saí de lá com uma sensação muito boa. É muito diferente estar num lugar onde a gente, sendo LGBTQIA+, consegue relaxar um pouco — não é uma segurança total, mas já muda tudo no corpo e na cabeça.
Registrei algumas coisas em foto e vídeo, mas o que ficou foi o momento mesmo. Sempre gostei de show de drag. Lembro de assistir RuPaul’s Drag Race com qualidade péssima, tudo meio borrado, mas mesmo assim já dava pra perceber que tinha algo ali que era grande, que ia fazer história.
Fui sem expectativa. Só sabia que as brasileiras entregam muito ao vivo, já tinha sentido isso quando fui ao Realness. Inclusive, já combinei com T que a gente precisa se organizar pra ver em São Paulo em 2027.
Mellody Queen

Mellody abriu com um medley da Anitta de diversas faixas do disco Funk Generation. Gravei só o começo, mas quando virou a energia — com direito a bate-cabelo — a galera foi junto na hora. Foi aquele momento de grito mesmo. A segunda música, “Todxs Putxs”, da Ekena, me pegou. Não foi só performance, teve fala, teve entrega. Ela terminou emocionada e foi muito aplaudida, com razão.
Adora Black

Adora é linda, isso é inegável. Os looks são muito bem feitos, tudo muito caprichado. A primeira performance, com “Liberdade”, da Priscilla, foi bonita de ver. Mas quando entrou numa música mais pesada, tipo “Kaça”, senti que faltou energia. Ficou meio duro, sem muita fluidez. Não é nem só sobre saber dançar, é sobre segurar o palco — e ali pareceu que faltou um pouco.
DesiRée Beck

DesiRée veio com Beyoncé e já chegou dominando tudo. Energia alta, presença forte, parecia que o palco era dela mesmo. Na segunda apresentação, lenta, ela mostrou outro lado — o lipsync tava tão bem feito que em vários momentos parecia que era ela cantando de verdade. Foi daqueles que você fica só olhando, sem nem pensar muito.
Poseidon

Poseidon foi uma surpresa muito boa. Interagiu com o público, trouxe uma sensação diferente. Dublou “The Greatest Love of All” e contou que, sendo pernambucana, tinha família na plateia vendo ela de drag pela primeira vez. Isso mudou completamente o clima — foi mais íntimo e me pareceu verdadeiro. Foi uma das apresentações mais aplaudidas da noite, e dava pra entender o porquê.
Ruby Nox

Ruby Nox foi o momento que me pegou de verdade. Não foi nem por ela ter vencido — foi pela sensação que ficou. Enquanto outras performances seguiam um ritmo mais esperado, ela fez algo diferente. Em “Ne Me Quitte Pas”, não parecia só dublagem. Tinha silêncio, tinha pausa, tinha intenção em cada movimento. Teve um momento que eu parei de filmar, só pra assistir. Quando ela chamou a Haus of Nox pro palco, virou outra coisa — trouxe coletividade e emoção. Foi bonito de ver, de um jeito que ela homenageou todo o time que ajudou ela a ganhar o programa.
No geral, foi uma experiência muito acima do que eu esperava. Não só pelos shows, mas pelo que eles representam. Ver drag ao vivo, com essa qualidade e com esse público, reforça que não é nicho. É cultura, é expressão e, em muitos casos, é também resistência.
Saí com vontade de ver logo e já esperando pelo Drag Race Brasil 3.
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