Margem Viva

"Mulher de aparência elegante, com cabelo curto grisalho bem alinhado e usando óculos de armação escura, está sentada à mesa em um ambiente sofisticado. Ela veste um blazer claro e acessórios discretos, como pulseiras e anéis, e mantém as mãos próximas ao rosto, olhando de lado. Ao fundo, o espaço é claro e minimalista, com elementos decorativos suaves, como flores e um jarro de vidro."
Miranda Priestly (Meryl Streep)

Capiroto + alta costura = pipoca murcha

Publicado por Wagner Beethoven

Tem dias em que as coisas se encaixam meio sem querer, e esse foi um deles, porque no dia anterior de ir ao cinema acabei colocando pra rodar O Diabo Veste Prada “1” no Disney+, mais por curiosidade do que qualquer outra coisa, e foi engraçado perceber como ele continua muito legal, a trilha ainda bate bem, tem muita referência pop e tudo flui fácil, mas principalmente porque ele usa a moda pra falar de identidade e de como as pessoas querem ser vistas.

No dia seguinte fui ver O Diabo Veste Prada 2, já com isso fresco na cabeça e com esse contraste meio inevitável entre passado (meu eu pop muito fã de muitas bandas) e presente (meu eu nada fã de muitas coisas, apenas gostando de algumas 😎), o que já mudou um pouco o jeito de assistir.

Chegando no Cinépolis Patteo Olinda, antes mesmo do filme começar, já tinha um outro cenário acontecendo, parecia um desfile mesmo, salto alto brilhante, roupas mais longas, gente bem produzida, uma estética que me lembrou essa ideia de “moda gospel/avangê”, esse lugar de mostrar prosperidade, presença, status, o que é totalmente de cada um, claro, mas ao mesmo tempo eu ali achando meio exagerado e percebendo que estava fazendo exatamente o que o filme cutuca, julgando a forma como as pessoas querem se mostrar.

Pra completar, meu pedido padrão demorou uns bons 30 minutos pra chegar, pipoca média metade chocolate, metade salgada, Coca Light sem gelo (promo do cartão Santander), e isso já com o filme rolando, então acabei entrando meio atrasado na experiência, já fora do ritmo.

E aí o filme começa a se desenhar, tentando atualizar a história da Miranda pra esse cenário mais atual, com redes sociais, influência digital, pressão por relevância, limites de trabalho, impacto da moda hoje, posição do luxo no mundo atual, mas tudo vai acontecendo de um jeito mais contido, como se tivesse muita coisa ali ao mesmo tempo, muitos personagens, muitos arcos, e nem tudo conseguisse respirar direito.

A Miranda continua sendo esse centro de poder e controle, só que agora num ambiente onde isso já não funciona da mesma forma, e isso até abre umas possibilidades interessantes, principalmente nessa relação com o digital e com a perda de força do impresso, mas o filme parece sempre dar uma segurada antes de ir mais fundo.

Também senti que várias relações foram suavizadas, os conflitos não têm o mesmo peso, aquela tensão constante do primeiro não aparece do mesmo jeito, e tudo fica mais fácil de acompanhar, mais direto, menos incômodo.

Ainda assim, não é um filme ruim, a trilha continua sendo ótima, algumas coisas funcionam bem, e dá pra sair da sessão achando que valeu o ingresso, principalmente pelas músicas novas (Runway da Gaga com a Doechii ficou muito melhor depois desse clipe).


Ficou muito essa mistura de revisitar algo que funciona muito bem com encarar uma continuação num contexto completamente diferente, junto com tudo que aconteceu em volta ali no cinema, que acabou fazendo parte da experiência também.

Última atualização:

Todos os textos

Comentários

Tem algo a dizer sobre este texto? Algumas formas de responder: