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Entre Carrie e o body horror, Slanted encontra outra coisa

Publicado por Wagner Beethoven

Procurando algo pra assistir num sábado à noite, acabei caindo no acervo do Scary, a capa foi o gatilho e isso que me levou até Slanted (2026).

Nos primeiros minutos, a sensação é familiar. Um clima que lembra Carrie, com aquele desconforto social crescente, deslocamento, tensão acumulada. Logo depois, o filme começa a flertar com body horror, e aí a expectativa muda. Em certo ponto, parece que ele vai seguir o caminho de A Substância, entrando numa estética mais explícita de transformação física.

Mas não é isso que ele faz.

Slanted quebra essa expectativa e se revela como um drama pesado, bem construído e, principalmente, desconfortável. O horror aqui não está só no corpo, nem no gore. Está no que leva o corpo a esse estado.

O filme trabalha temas como aceitação, pertencimento e uma espécie de “limpeza ética” que atravessa discussões de raça, identidade e pressão social. Não é um terror que depende de sustos ou excesso visual. Ele constrói um incômodo mais estrutural, mais difícil de ignorar.

E isso levanta uma pergunta importante: é um filme de terror?

Sim, mas não no sentido mais superficial. O verdadeiro horror em Slanted é social. É a forma como normas, padrões e expectativas moldam, pressionam e, em alguns casos, destroem indivíduos. O inimigo não é uma entidade, nem uma ameaça externa clara. É o ambiente.

O recorte da sociedade norte-americana aparece como pano de fundo relevante, mas o que o filme propõe não fica restrito a um país. A crítica funciona porque aponta para mecanismos que são replicados em diferentes contextos: exclusão, normatização forçada e a violência silenciosa de não pertencer, de maneira discreta, uma sociedade eugenista.

Slanted definitivamente não é sobre transformação física, mas sobre o custo de tentar se encaixar e isso é muito mais perturbador do que qualquer cena de gore.

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