Margem Viva

"Close nos pés de um dançarino no palco, em posição inclinada típica de um passo icônico. Ele usa sapatos sociais pretos bem polidos e meias brancas brilhantes, com textura franzida, contrastando fortemente com a roupa escura.
A perna da frente está esticada e apoiada no calcanhar, enquanto a de trás sustenta o peso, criando a ilusão de deslizamento. No fundo, desfocado, há uma plateia observando. Um feixe de luz intensa vem de trás, criando um efeito de halo e destacando o movimento e o brilho do figurino."
Fonte: The Movie Database

Hee-Hee: Michael é impressionate, mas não saí convencido

Publicado por Wagner Beethoven

Ontem fui assistir Michael Jackson no cinema, a cinebiografia do cantor. Já fui meio preparado por tudo que vi na internet, gente cantando, fazendo graça na sessão… mas, felizmente, a sala estava tranquila, deu pra assistir de boa, sem interferência, o que já muda bastante a experiência.

O filme funciona muito como uma homenagem, dá pra sentir um cuidado grande em tratar o peso que ele teve como artista, acho que o objetivo não foi contar uma história, mas reforçar o impacto dele como um dos maiores nomes da música pop e nisso, o filme acerta e muito.

Visualmente é muito bonito e o que mais me chamou atenção foi o trabalho do Jaafar Jackson, sobrinho dele, que interpreta o Michael, o cara dança absurdamente bem, o nível de precisão impressiona. A atuação também segura muito bem o filme e em vários momentos você esquece que está vendo um ator.

Outra coisa que me deixou curioso foi a maquiagem. Não sei exatamente até onde é maquiagem prática ou efeito digital, mas a transformação física ao longo do tempo, principalmente o nariz, é bem marcante. Eles tentaram acompanhar essas mudanças de forma progressiva, o que ajuda na construção da linha do tempo, estava muito ansioso para saber como iriam fazer pra construir aquele narizinho do final da carreira, mas infelizmente não rolou de ver dessa vez!

Isso me deixou bem incomodado com o filme!

Close no rosto de um homem sentado à mesa, apoiando o queixo sobre as mãos entrelaçadas. Ele tem cabelo volumoso em estilo afro, bigode e expressão carregada, com olhar fixo e levemente cansado, como se estivesse refletindo ou processando algo difícil. A iluminação é quente e suave, vindo lateralmente, criando sombras que reforçam as marcas do rosto e a profundidade da cena. Ele usa uma camisa casual de tom neutro e um relógio metálico no pulso. O fundo está desfocado, sugerindo um ambiente doméstico, possivelmente uma cozinha ou sala de jantar, com elementos como armários e objetos ao fundo. A composição é íntima, focada na expressão emocional do personagem.
Pai do Joe Jackson, interpretado pelo Colman Domingo

Puxando para os pontos baixos da obra, foi a evitação clara de entrar em algumas partes mais pesadas da história. O pai abusivo, por exemplo, é tratado de forma muito mais leve do que deveria, dá aquela sensação de “passar pano”, o que quebra um pouco a completude da narrativa.

Isso provavelmente tem relação direta com o fato de nem toda a família ter apoiado o projeto, e aó quando um filme nasce com esse tipo de limitação (a maioria deles por que geralmente grandes nomes sempre estão envolvidos com grandes polêmicas), ele tende a proteger certas imagens. Essas cinebiografias viram mais tributo do que retrato completo da vida do artista.

Fiquei com a sensação de que um documentário talvez fosse mais honesto nesse sentido. Um formato que permitisse mostrar as contradições sem tanto filtro. Porque a vida dele é complexa demais, ainda assim, funciona.


Senti falta da Janet no filme e depois de sair do cinema, fui dar uma olhada no que rolou nos bastidores e achei um monte de tretas da produção que eu não sabia, vou listr algumas 😎:

  • Controle do espólio: A produção tem envolvimento direto do espólio de Michael Jackson, liderado por John Branca e John McClain. Isso delimita o que entra ou não no roteiro, puxando o filme mais pra homenagem. G1 / Omelete
  • Joe Jackson suavizado: O pai, Joe Jackson, é frequentemente associado a abuso físico e psicológico, inclusive relatado pelo próprio Michael. No filme, esse aspecto tende a aparecer de forma bem mais leve. BBC Brasil / Superinteressante
  • Acusações deixadas de lado: Casos envolvendo Wade Robson e James Safechuck, explorados no documentário Leaving Neverland, não entram como foco. É uma escolha clara de recorte narrativo. Folha / BBC Brasil
  • Elenco da família: A escolha do Jaafar Jackson funciona muito bem em cena, mas reforça o controle narrativo. Aproxima da figura real, mas reduz distanciamento crítico. Omelete / AdoroCinema
  • Expectativa vs entrega: Por ser uma cinebiografia grande, muita gente esperava um retrato mais completo. O filme entrega mais celebração do que complexidade, o que explica a sensação de superficialidade. AdoroCinema

Fui ver o filme com T, meu olhar foi mais brando, consegui curtir como homenagem, mas o dele foi bem mais direto: sensação de ter sido enganado. Pra ele, o filme é beeeeeeeeeeeeeem superficial e faz muito sentido ter essa sensação.

Se vier uma segunda parte, talvez exista mais espaço pra tensionar essas questões, mas aí depende de até onde o projeto está disposto passar pano.

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